sobre

poemismo nasce da necessidade que tributamos às coisas no mundo de terem nome, categoria, definição, beleza, realidade ou verossimilhança postiça: catequismo, pós-modernismo, heroísmo ineficaz como qualquer com tal sufixo. como se a poesia pudesse talvez salvar o que não reluz diante da razão dos olhos. contudo, nem tudo que reluz é ou(t)ro e, mesmo que simpática, ela se instala nas veias, como uma patologia (à qual também damos nomes), nos dedos, nos dentes e na vontade. mostra todos seus becos e hélices afim de nos paralisar. espalha-se gradativamente, vértebra a vértebra, e nos obriga a – se algo ainda se considera em estar vivo – continuar de pé proferindo o que a censura decorrente desta primeira condição (estar vivo) e de uma segunda (ser dotado de linguagem) proíbem eternamente. poemismo então se torna uma doença presente, uma companhia canina, um hospedeiro que faz expelir ondas do que é indizível pelo ar, à deriva, em busca de antenas, contato imediato com o inesperado, no encalço da ilusão humana da comunicação. e, no entanto, rumo à sombra, à cegueira diante do abismo de onde se originam os horizontes.

danilo gusmão é autor de Contíguo (Editora Patuá).

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